Fator de Potência: O que é?
O fator esquecido que pesa na fatura, compromete a eficiência e pode sobrecarregar a rede elétrica da sua planta
Quando o assunto é eficiência energética, muito se fala de consumo em kWh, demanda contratada e tarifas. Mas há um fator técnico que, embora muitas vezes negligenciado, afeta diretamente a performance da instalação elétrica, a vida útil dos equipamentos e a conta de luz: o fator de potência (FP).
Para engenheiros eletricistas, compreender o fator de potência não é só questão de conhecimento técnico — é condição básica para corrigir distorções, evitar multas e otimizar o desempenho dos sistemas elétricos industriais.
O que é fator de potência?
O fator de potência (FP) é uma relação entre a potência ativa (kW) e a potência aparente (kVA) de um sistema elétrico. Ele indica o quanto da energia fornecida à instalação está sendo efetivamente convertida em trabalho útil.
A fórmula é simples:
FP = Potência ativa (kW) / Potência aparente (kVA)
O valor do FP varia entre 0 e 1. Quanto mais próximo de 1, mais eficiente é o uso da energia elétrica.
Valores abaixo de 0,92, segundo a ANEEL (Resolução Normativa nº 414/2010), geram penalidades financeiras nas contas de consumidores em média e alta tensão.
Potência ativa, reativa e aparente: entendendo a base
Para entender o fator de potência, é necessário relembrar os três tipos de potência em sistemas CA:
- Potência ativa (kW): é a energia efetivamente convertida em trabalho (movimento, calor, luz).
- Potência reativa (kVAR): é a energia necessária para criar e manter os campos magnéticos de motores, transformadores e reatores. Não realiza trabalho útil, mas circula pela rede.
- Potência aparente (kVA): é a combinação vetorial das potências ativa e reativa. É o que a concessionária precisa entregar ao consumidor.
Em instalações industriais com muitos motores e cargas indutivas, a potência reativa tende a aumentar, reduzindo o FP e comprometendo a eficiência da rede.

Consequências de um fator de potência baixo
Um FP abaixo de 0,92 (ou seja, mais reativo do que ativo) traz uma série de impactos negativos:
1. Multas na fatura de energia
Concessionárias aplicam cobrança adicional para compensar a energia reativa excedente que circula na rede.
2. Sobrecarga na infraestrutura elétrica
Condutores, transformadores e geradores precisam ser superdimensionados para lidar com uma corrente maior, sem que haja mais trabalho efetivo sendo realizado.
3. Queda de tensão e instabilidade
FP baixo agrava quedas de tensão, principalmente em linhas longas, afetando o desempenho de cargas sensíveis como CLPs, inversores e sistemas de controle.
4. Redução da capacidade de fornecimento
Uma instalação com baixo fator de potência consome mais da rede do que realmente precisa, limitando a capacidade da concessionária de atender a outros consumidores.
Como corrigir o fator de potência?
A correção do FP é feita com a instalação de bancos de capacitores que fornecem potência reativa capacitiva para compensar a reativa indutiva gerada por motores, transformadores e reatores.
Principais métodos:
- Correção individual: capacitores instalados diretamente nas cargas indutivas.
- Correção em grupo: capacitores em painéis que atendem a um conjunto de cargas com perfil semelhante.
- Correção centralizada: banco de capacitores instalado no QGBT, dimensionado para a carga total da instalação.
- Correção automática: sistema com chaveamento por degraus, que se adapta dinamicamente à variação da carga reativa.
Observação: o uso de capacitores exige atenção à presença de harmônicas. Nestes casos, deve-se aplicar filtros de detuned ou filtros ativos.
⚠️ Importante: o fator de potência tratado neste texto refere-se à eficiência energética em instalações industriais (relação entre kW e kVA). Esse conceito não deve ser confundido com o fator de potência de nobreaks e estabilizadores, que indica a proporção da potência real que o equipamento pode entregar.
Nobreaks e estabilizadores não corrigem o fator de potência industrial, mas são aliados estratégicos na proteção dos equipamentos, principalmente após a correção elétrica com capacitores. Eles ajudam a manter a rede estável e a proteger sistemas automatizados contra oscilações, quedas de tensão e distúrbios.
Medição e monitoramento do fator de potência
Com o avanço da digitalização, engenheiros podem (e devem) contar com sistemas de medição avançados:
- Multimedidores digitais com leitura de FP, THD e fluxo de energia
- Sistemas EMS (Energy Management Systems) para registro histórico e alarmes
- Integração com CLPs ou supervisórios SCADA
Esse acompanhamento contínuo permite detectar momentos de baixa eficiência e agir preventivamente antes que haja penalização ou sobrecarga.
Fator de potência e qualidade de energia
Um FP baixo quase sempre anda junto de outros problemas de qualidade de energia, como:
- Distorções harmônicas
- Oscilações de tensão e corrente
- Desequilíbrio de fases
Por isso, a correção do fator de potência deve fazer parte de uma abordagem mais ampla de qualidade de energia elétrica, especialmente em plantas com automação intensiva, inversores e retificadores.
Nesses casos, estabilizadores industriais, filtros de linha e nobreaks com filtros internos ajudam a manter a energia limpa e estável nos pontos críticos da instalação.
Conclusão
O fator de potência é um dos principais indicadores da eficiência energética de uma instalação elétrica industrial. Corrigir esse fator significa reduzir custos, melhorar a estabilidade da rede e aumentar a vida útil dos equipamentos.
Mais do que evitar multas, um bom FP garante que sua planta esteja operando dentro de padrões técnicos seguros, sustentáveis e compatíveis com a crescente demanda por eficiência e qualidade de energia.
Na TS Shara, oferecemos soluções completas de proteção e estabilidade elétrica, como estabilizadores industriais, filtros de linha e nobreaks compatíveis com cargas indutivas, essenciais para manter o desempenho dos sistemas mesmo em ambientes com variações severas de fator de potência.

Perguntas Frequentes
O que é fator de potência?
É um número que mostra quanto da energia elétrica consumida está sendo realmente usada para fazer trabalho. Quanto mais próximo de 1, melhor.
Qual é o valor ideal do fator de potência?
O ideal é que esteja igual ou acima de 0,92. Abaixo disso, a concessionária considera que há desperdício e pode aplicar multa.
O que causa fator de potência baixo?
Equipamentos com bobinas ou motores, como bombas, compressores, transformadores e ventiladores, geram energia reativa que não realiza trabalho útil — e isso derruba o fator de potência.
Ter um fator de potência baixo aumenta a conta de luz?
Sim. Instalações com fator de potência baixo pagam multas mensais por estarem usando a rede elétrica de forma ineficiente.
Como corrigir o fator de potência?
Instalando bancos de capacitores, que compensam a energia reativa e melhoram o aproveitamento da energia total fornecida.
Como saber se minha empresa tem fator de potência baixo?
Essa informação aparece na conta de energia (para clientes em média e alta tensão). Também é possível medir com multimedidores digitais ou com um sistema de monitoramento elétrico.
Corrigir o fator de potência ajuda na proteção dos equipamentos?
Sim. Além de economizar, a correção reduz sobrecarga nos cabos e painéis elétricos e ajuda a manter a rede mais estável, protegendo máquinas e sistemas automatizados.