Crise hídrica em São Paulo: impactos diretos na energia elétrica e na segurança das operações críticas
Em 2025, a Região Metropolitana de São Paulo enfrenta o pior cenário hídrico desde a crise histórica de 2014 e 2015. Segundo dados da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), o volume armazenado nos reservatórios caiu para apenas 41,1% em agosto, o menor índice da última década.
Embora a companhia assegure o abastecimento de água, a recomendação é clara: o uso consciente deve ser intensificado. Essa orientação, no entanto, vai muito além do consumo residencial, pois os efeitos da escassez hídrica também repercutem diretamente na energia elétrica.
Como a crise hídrica impacta o fornecimento de energia
O que nem sempre é percebido pela população, entretanto, é a relação direta entre água e eletricidade. Isso acontece porque, como grande parte da matriz energética brasileira ainda depende fortemente das hidrelétricas, a queda no nível dos reservatórios acaba pressionando o sistema. Dessa forma, os custos de geração aumentam e, consequentemente, os riscos de apagões e falhas no fornecimento também se ampliam.
Essa instabilidade pode afetar especialmente setores críticos, como:
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Hospitais
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Data centers
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Indústrias
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Centros de monitoramento
Nesses ambientes, uma interrupção repentina de energia pode comprometer não apenas equipamentos de alto valor, mas também vidas humanas e informações sensíveis.

Crise hídrica é também crise energética
Para o engenheiro elétrico da TS Shara, Jamil Mouallem, especialista em infraestrutura energética, a situação deve ser analisada com seriedade:
“A crise hídrica precisa ser entendida também como uma crise energética. O país ainda depende fortemente da geração hidrelétrica, e cada período de estiagem prolongada representa um alerta para a vulnerabilidade do sistema. Para operações críticas, não se trata apenas de evitar prejuízos financeiros, mas de proteger vidas e informações sensíveis.”
Essa interdependência entre água e energia reforça a importância da preparação das instituições e empresas diante de períodos de instabilidade.
Medidas preventivas para reduzir riscos energéticos
Diante desse cenário, a adoção de medidas preventivas é indispensável. De acordo com o especialista da TS Shara, algumas recomendações fundamentais incluem:
1. Planejamento de contingência
Mapear riscos energéticos e definir protocolos claros para situações de interrupção é o primeiro passo para garantir segurança e continuidade.
2. Proteção da infraestrutura elétrica
Investir em sistemas de proteção, como nobreaks, estabilizadores e filtros de linha, é essencial para assegurar a operação de equipamentos críticos e evitar falhas inesperadas.

3. Monitoramento em tempo real
Implementar soluções de análise e monitoramento da energia permite prever falhas e agir de forma preventiva, reduzindo os impactos em situações de crise.
4. Treinamento e testes periódicos
Preparar equipes com simulações realistas de apagão aumenta a resiliência das operações e fortalece a resposta em momentos de emergência.
A necessidade de uma postura proativa
Mouallem reforça que o debate deve ir além do consumo consciente de água:
“Mais do que pensar no consumo de água, precisamos compreender a interdependência entre recursos hídricos e energia. Estiagens prolongadas exigem que instituições e empresas adotem uma postura proativa para evitar que falhas elétricas comprometam serviços essenciais e a segurança da sociedade.”
Conclusão: água e energia, um desafio coletivo
A crise hídrica em São Paulo representa, portanto, um reflexo claro dos desafios que todo o Brasil enfrenta no equilíbrio entre o abastecimento de água e a segurança energética. Além disso, garantir a continuidade das operações críticas exige muito mais do que boas intenções; na verdade, demanda planejamento estratégico, investimento em tecnologia e, acima de tudo, consciência coletiva. Afinal, quando a água falta, consequentemente a energia também fica em risco e, como resultado, os impactos ultrapassam fronteiras setoriais, atingindo de forma direta toda a sociedade.