Cibersegurança começa na tomada

Ilustração futurista 3D de elos de corrente em formato de blocos digitais brilhantes, com luzes vermelhas e azuis

Cibersegurança começa na tomada: como a energia elétrica virou a nova fronteira da proteção de dados

Em um cenário de digitalização acelerada e ataques cada vez mais sofisticados, especialistas apontam que a infraestrutura energética deixou de ser apenas suporte técnico e passou a ser pilar estratégico da cibersegurança corporativa.

Nos últimos anos, o debate sobre cibersegurança ganhou protagonismo nas agendas corporativas, impulsionado pelo aumento global de ataques a infraestruturas críticas. Entretanto, um fator essencial ainda passa despercebido em muitos planos de proteção: a energia elétrica.

Falhas no fornecimento, picos de tensão ou oscilações na rede não apenas causam desconforto operacional, também representam brechas potenciais para ataques cibernéticos, interrupções de sistemas e perdas de dados sensíveis. A relação entre energia e segurança digital é, portanto, muito mais direta do que parece.

Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), os consumidores brasileiros ficaram, em média, 10 horas e 24 minutos sem energia em 2024, uma leve melhora em relação ao ano anterior. Ainda assim, o número revela a fragilidade estrutural da rede. Para empresas, cada minuto sem energia pode significar interrupção de sistemas críticos, falhas em backups e exposição a riscos digitais.

Complementando esse panorama, o IBM Security X-Force Threat Intelligence Index 2024 aponta que o setor de energia foi o quarto mais atacado no mundo, representando 10% dos incidentes cibernéticos globais. Isso porque invasores têm explorado vulnerabilidades tanto nos sistemas digitais quanto nas operações físicas das redes elétricas.

Convergência entre tecnologia e infraestrutura

A transformação digital trouxe uma interdependência inédita entre a tecnologia da informação (TI) e a infraestrutura energética. Data centers, servidores, sistemas de refrigeração e firewalls dependem de uma fonte estável de energia para operar corretamente.

Por outro lado, o avanço das redes inteligentes (smart grids), da internet das coisas (IoT) e dos sistemas de controle industrial (ICS) aumentou a complexidade das operações e ampliou a chamada “superfície de ataque”. Isso significa que, hoje, a própria rede elétrica se tornou um alvo estratégico para hackers.

O resultado é uma fronteira cada vez mais tênue entre o mundo físico e o digital, o chamado “ciberespaço energético”, onde a vulnerabilidade de um sistema impacta diretamente o outro.

“A segurança também começa na tomada”, alerta especialista

De acordo com Jamil Mouallem, sócio-diretor Comercial e de Marketing da TS Shara, é preciso adotar uma visão mais integrada entre energia e cibersegurança.

“Para fortalecer a proteção desde a base, é fundamental que as empresas tratem a infraestrutura energética como componente ativo da cibersegurança. Isso significa garantir redundância para os ativos críticos, monitorar continuamente a qualidade da energia, testar a resiliência dos sistemas diante de possíveis falhas e, sobretudo, incluir o risco energético no plano de continuidade dos negócios. Muitas vezes, as organizações investem em soluções sofisticadas de segurança digital, mas ignoram que um pico ou uma queda de energia pode comprometer tudo isso em segundos.”

A fala de Mouallem reforça um movimento crescente no setor: a percepção de que energia estável é sinônimo de segurança da informação.

Sobreposição digital de uma tela de login de segurança com ícone de cadeado e campos 'username' e 'password', refletida sobre um teclado de laptop
Segurança da informação: Proteção de Dados

Medidas práticas para proteger dados pela energia

Além da conscientização estratégica, algumas práticas podem reduzir significativamente os riscos:

  • Redundância energética: manter sistemas de backup, como geradores e UPS, para assegurar continuidade mesmo durante falhas.
  • Monitoramento constante: acompanhar em tempo real a qualidade da energia, identificando oscilações que possam comprometer equipamentos.
  • Proteção de ponta a ponta: usar filtros de linha, estabilizadores e nobreaks, prevenindo danos físicos e perdas de dados.
  • Testes periódicos: simular cenários de falha para validar os planos de contingência.
  • Integração de riscos: tratar a energia como parte do plano de cibersegurança, e não apenas infraestrutura física de apoio.

Segundo Mouallem, essa integração é o que garantirá resiliência e continuidade operacional em um ambiente cada vez mais exposto a riscos híbridos.

“Ao ampliar o olhar para além do digital, empresas e governos reconhecem que a proteção de dados também passa por energia limpa, estável e resiliente”, afirma o executivo.

O futuro da segurança passa pela resiliência energética

Diante de ameaças cada vez mais complexas, que vão desde blecautes e eventos climáticos extremos até ataques ciberfísicos coordenados, a convergência entre infraestrutura elétrica e segurança da informação tornou-se, assim, inevitável.

Consequentemente, investir em energia segura é, portanto, investir em confiança digital, continuidade de negócios e proteção de dados. Desse modo, no futuro próximo, não será exagero dizer que o firewall mais importante pode estar, literalmente, na tomada.

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