Agronegócio Sustentável

três pessoas no campo fazendo negócios, se cumprimentando

Agronegócio Brasileiro: Sustentabilidade, Economia e Competitividade no Campo

O agronegócio brasileiro sempre esteve intrinsecamente ligado ao sol. Desde as lavouras que florescem sob sua luz até a resiliência dos produtores que enfrentam os desafios climáticos com criatividade e inovação, a energia solar sempre foi uma aliada indireta do setor. No entanto, nos últimos anos, esse papel simbólico ganhou uma nova dimensão: o sol deixou de ser apenas fonte de vida para as plantações e passou a ser também uma fonte literal de energia para os negócios no campo.

A transição para matrizes energéticas renováveis não pode mais ser vista como uma simples tendência. Pelo contrário, trata-se de uma resposta estratégica diante dos desafios relacionados ao custo da eletricidade, ao acesso à rede e à necessidade crescente de sustentabilidade. Tudo isso impacta diretamente a produtividade agrícola, a competitividade internacional e a permanência das propriedades rurais em um mercado cada vez mais exigente.

O Crescimento da Energia Solar no Agronegócio

Nos últimos anos, observamos uma expansão acelerada da energia solar fotovoltaica no setor rural brasileiro. Segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), somente em 2023 houve um crescimento de quase 35% na potência instalada da geração distribuída ligada ao agronegócio.

Hoje, o setor responde por aproximadamente 14,5% de toda a capacidade instalada do país, o que equivale a mais de 3,5 GW distribuídos em mais de 190 mil sistemas solares em propriedades rurais.

Essa curva ascendente, embora impressionante, não surpreende os especialistas. Em um cenário de custos energéticos crescentes e de constantes oscilações no fornecimento de eletricidade, a geração distribuída se apresenta como uma solução capaz de garantir previsibilidade, autonomia e estabilidade ao produtor rural.

Incentivos e Políticas Públicas Impulsionando a Mudança

O avanço da energia renovável no campo recebe apoio constante de políticas públicas. Programas de incentivo financeiro reconhecem o papel estratégico das fontes limpas para a competitividade do agronegócio.

Um exemplo é o Plano Safra 2023/2024. O programa liberou R$ 364 bilhões em crédito rural. Parte desse valor foi destinada a práticas sustentáveis e tecnologias verdes, como sistemas de energia solar no agronegócio.

Além disso, os custos dos equipamentos de energia solar caíram nos últimos anos. Ao mesmo tempo, a eficiência tecnológica avançou. Esses fatores tornaram os projetos mais acessíveis para produtores rurais.

Hoje, não apenas grandes propriedades investem em energia limpa. Pequenos e médios agricultores também encontram oportunidades. Isso é essencial porque eles são os mais afetados pelas oscilações do mercado de energia.

Assim, a sustentabilidade no campo deixou de ser privilégio. Agora é uma realidade democrática, ao alcance de diferentes perfis de produtores rurais.

Energia Renovável como Vantagem Competitiva Internacional

O impacto da energia solar no agronegócio vai além da economia. O setor enfrenta uma emergência climática global. Nesse cenário, cadeias produtivas internacionais exigem práticas sustentáveis e rastreabilidade ambiental. Por isso, usar fontes renováveis de energia no campo se tornou uma vantagem competitiva essencial.

Hoje, países compradores cobram que alimentos e commodities agrícolas apresentem indicadores ambientais positivos. Assim, o produtor que adota energia limpa ganha credibilidade. Além disso, agrega valor à sua produção e facilita o acesso a mercados internacionais.

Em resumo, a energia solar reduz custos no curto prazo. Ao mesmo tempo, fortalece a imagem do Brasil como potência verde. Por fim, amplia as oportunidades de negócios para quem produz de forma consciente e sustentável.

imagem gerada por IA de uma lampada com uma árvore dentro e o fundo ensolarado
energia renovável

Solução para o Desafio da Infraestrutura no Campo

Outro ponto essencial, portanto, é a contribuição da energia solar para resolver um problema histórico no Brasil: a falta de acesso confiável à rede elétrica em áreas rurais.

De fato, muitas propriedades, especialmente aquelas localizadas em regiões mais distantes dos grandes centros, ainda enfrentam dificuldades relacionadas ao fornecimento de energia. Entre os principais obstáculos estão a instabilidade do serviço, as quedas frequentes e, em alguns casos, até mesmo a ausência total de eletricidade. Nesse cenário, a geração local de energia por meio de painéis solares surge como uma solução concreta e viável, já que permite garantir que sistemas de irrigação, armazenagem e processamento possam operar com regularidade e sem interrupções.

Além disso, essa autonomia energética se torna crítica porque contribui para evitar perdas de safra, reduzir desperdícios e, ao mesmo tempo, melhorar a eficiência de todo o processo produtivo. O que antes parecia uma utopia tecnológica, hoje, graças ao avanço das soluções renováveis, já se materializa em diferentes formatos: desde galpões agrícolas com telhados solares até plantações com margens energizadas, passando ainda por sistemas flutuantes instalados sobre reservatórios de água.

A Descentralização como Força Transformadora

Um aspecto fascinante dessa transformação é que ela acontece de forma descentralizada. Não se trata de grandes usinas ou megaprojetos centralizados, mas sim de milhares de pequenos sistemas implantados diretamente nas propriedades.

A modularidade da energia solar se ajusta perfeitamente à lógica da produção agrícola, onde cada hectare possui características próprias e cada produtor necessita de soluções sob medida.

Além disso, essa transição não é apenas técnica, mas também cultural. Os produtores estão cada vez mais conscientes de que investir em energia limpa não é apenas uma questão de economia, mas também de longevidade do negócio e de legado sustentável para as próximas gerações.

Energia Solar e Sustentabilidade: Dois Lados da Mesma Moeda

O agronegócio brasileiro já é reconhecido mundialmente por sua capacidade de produção em larga escala. Entretanto, para manter essa posição de destaque, o setor precisa responder às pressões ambientais globais.

Nesse sentido, a energia solar se apresenta como um recurso estratégico que une sustentabilidade e produtividade. Ao reduzir a dependência de fontes fósseis e diminuir a pegada de carbono, o produtor rural não apenas melhora sua imagem perante o mercado, mas também contribui ativamente para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

O Futuro Já Começou

Não há dúvidas de que a transição energética representa uma nova fronteira para o agronegócio brasileiro. Mais do que uma resposta às dores do presente, trata-se de um passo estratégico rumo a um futuro em que inovação, produtividade e sustentabilidade caminham lado a lado.

Esse futuro, no entanto, não é apenas uma projeção distante: ele já começou. Basta observar os milhares de sistemas solares que refletem a luz do sol em telhados e campos por todo o país. Eles não alimentam apenas máquinas e equipamentos, mas também esperança, resiliência e competitividade para o campo brasileiro.

imagem de um equipamento de irrigação no campo rural regando o verde
sistema de irrigação

Conclusão

A adoção da energia solar no agronegócio é um movimento que cresce em ritmo acelerado, sustentado por fatores econômicos, ambientais e sociais. A previsibilidade nos custos, a autonomia energética, os incentivos financeiros e a crescente demanda internacional por sustentabilidade tornam essa solução uma das mais estratégicas para o setor.

O sol, que sempre iluminou as lavouras brasileiras, agora também abastece sistemas, movimenta máquinas e fortalece negócios. Essa revolução silenciosa já está em curso e promete consolidar o Brasil como líder não apenas em produção agrícola, mas também em energia limpa e inovação sustentável.

Por: Pedro Al Shara
CEO da TS Shara – indústria nacional fabricante de nobreaks, inversores, estabilizadores de tensão e protetores de rede inteligente.

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